quarta-feira, 24 de março de 2010

"Quem não tiver pecado, que atire a 1ª pedra..."

No último final de semana, 5º domingo da quaresma, o evangelho dominical nos trouxe o relato da mulher que foi pega cometendo adultério. Os fariseus e os doutores da lei levaram-na ao templo e apresentaram-na a Jesus.

Se hoje tal fato significa grande humilhação, naquela época significava muito mais.

Os fariseus e doutores da lei julgavam-se “justos”, por isso, queriam ver como a justiça de Jesus iria ser manifestada diante daquela “pecadora”.

Talvez tenhamos dificuldade de nos identificar com a pecadora porque não tenhamos passado (tomara) por tão grande humilhação.

Mas, se tivermos a coragem de nos depararmos diante do espelho e de olhar para o nosso interior, iremos nos identificar com facilidade com a atitude dos fariseus e dos doutores da lei.

Julgar e acusar os outros é sempre fácil diante do desafio de olharmos para os nossos erros, limitações e falhas.

Viver a vida dos outros e apontar aquilo que “julgamos” não ser certo se pode tornar uma arma mortal para muitas pessoas que são vítimas da hipocrisia e farisaísmo dos nossos julgamentos e atitudes.

Tem gente que vive tanto a vida dos outros que não vive a própria vida. Pais que vivem a vida dos filhos; filhos que vivem a vida dos pais; sogras que vivem a vida das noras, noras que vivem a vida das sogras e assim por diante...

Jesus desmonta os fariseus e doutores da lei quando devolve a bola para eles dizendo que podem condenar a mulher à morte, atirando pedras... Mas, impõe uma condição: Que atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado.

Diante disso, a partir dos mais velhos, um por um vai deixando o local. Por que será?

Assim, aconteceria conosco. Se fizermos o exercício de olhar para nossa vida, para nossos erros, falhas e limitações, antes de apontar os dos outros, dificilmente nos ocuparíamos com a vida de terceiros, porque nos faltaria tempo para nos ocupar com a nossa própria vida.

Dizem por aí que “gatos” têm sete vidas. Algumas pessoas deveriam ganhar ao menos um gato por ano. Gastariam tempo em cuidar das vidas dos gatos e assim, deixariam muitas pessoas viverem mais em paz.

Não quero ser puritano e tão pouco julgador apresentando para você essa reflexão. É que a partir do evangelho do último domingo fiquei pensando nessas coisas. Fiquei pensando quantas vezes fui hipócrita e falso como foram os fariseus e doutores da lei e quantas vezes deixei de praticar a justiça do jeito de Jesus.

Mas, também fiquei pensando quantas vezes paguei um alto preço por ser vítima do julgamento dos outros, por ser acusado, inclusive por coisas que não fiz.

O confortador de tudo isso é saber que independente dos nossos erros, Deus nos acolhe do jeito que Jesus acolheu a mulher adúltera. A proposta que fez para ela faz para cada um de nós: “Não peques mais”.

Estamos terminando o tempo quaresmal e prestes há iniciar o tempo pascal. Tempos propícios para acolhermos a proposta salvífica de Jesus. O desafio está lançado. Se será aceito ou não, dependerá de cada um de nós.

2 comentários:

  1. Carlos Alberto dos Santos31 de março de 2010 04:59

    Ola Diacono Ricardo!
    São belas suas palvras, pois ainda hoje o as palavras do Evangelho são verdadeiras. Não precisar ser adultero no sentido do casamento, nas fofocas, ganância, desamor, inratitão, corrupção, inveja, etc.
    Que bom ter pessoas como você para nos ajudar com lindas reflexões.
    Que Deus possa iluminar sua Vocação e Espirito Santo iluminar sua sabedoria.
    um forte abraço
    Beto - Estiva

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  2. Ir. Afonso Murad6 de maio de 2010 05:14

    Meu irmão, que mensagem bonita.
    Espero que voce escreva mais no blog.
    Grande abraço.

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