
Zaqueu subiu na árvore e fez uma experiência com Jesus que transformou sua vida. Tem gente, que a partir dessa experiência tem se complicado e parece estar caindo da árvore. Permitam-me explicar.
Ultimamente a figura de Zaqueu, homem judeu e que o evangelho de Lucas apresenta como “rico e chefe dos publicanos” (cf. Lc 19,2) tem sido alvo de críticas. Críticas que são conseqüências do grande sucesso que a música “Entra na minha casa” de autoria de Regis Danese, cantor gospel e de origem protestante, compôs baseando-se na história de Zaqueu. A música está por todos os cantos. Está sendo cantada por muitas denominações religiosas. Até na Igreja Católica que preza fazer um paralelo das músicas com o contexto litúrgico ela já foi adotada. Não tem um conteúdo litúrgico, mas já se deu “um jeito” para cantar a música durante a missa, adorações e outros momentos de orações. É verdade que não possui uma dimensão litúrgica, mas também é verdade que possui uma melodia bonita, uma letra sugestiva e que mexe com o sentimento e com o emocional daqueles que a ouvem e a cantam. Voltando às críticas é preciso dizer que elas possuem no mínimo um duplo caráter. Uns criticam o conteúdo teológico da canção, enquanto outros já estão criticando até a pessoa de Zaqueu.
Já ouvi dizer que o maior erro teológico na letra da música está no verso que diz: “... quero amar somente a Ti, porque o Senhor é o meu bem maior, faz um milagre em mim”. Uma explicação é a seguinte: Não tem sentido amar somente a Deus, se essa experiência de amor não for revertida no amor ao irmão, ao próximo. Lembremos que a própria Escritura nos diz que é mentiroso aquele que diz que ama a Deus a quem não vemos se não ama o irmão com quem convivemos. Até aí tudo bem, a crítica tem fundamento. Porém, criticar a pessoa de Zaqueu parece não ter fundamentos. Após uma procissão realizada com o Santíssimo Sacramento depois da comunhão durante a missa – que, aliás, também não tem nada de litúrgico – o padre após a benção do santíssimo, ainda no presbitério pegou o microfone e se dirigiu a assembléia nos seguintes termos: “Quem aqui quer ser como Zaqueu? Todos tinham acabado de cantar: “Como Zaqueu, eu quero subir, o mais alto que eu puder...” Então, a pergunta por ser desnecessária não teve respostas, mas silêncio. Ele então prosseguiu: “Eu não quero ser como ele. Zaqueu era um safado, um ladrão, explorador. Vocês acham que ele subiu na árvore porque queria encontrar-se com Jesus? Claro que não. Ele queria se esconder de Jesus, porque tinha consciência que era safado, que não prestava e que roubava os pobres.
Imaginem a reação das pessoas que estavam na missa. Tinham acabado de comungar, de adorar a eucaristia exposta no ostensório. Foram à Igreja para voltarem melhores, mais animados para a casa. E o padre me dá uma dessas. Um detalhe que nesse contexto que parece ser importante é que ele naquele dia foi substituir o vigário daquela comunidade, era uma visita, um convidado. Alguma visita ou convidado poderia ser tão indelicado assim?
Questiono: onde será que esse padre estudou teologia? Onde será que exerce o ministério sacerdotal? Com quem ele aprendeu a ser agressivo e desagradável?
A Igreja nos traz no contexto pascal – o que estamos vivendo atualmente – a imagem de Jesus como o Bom Pastor, como a verdadeira videira da qual somos chamados a ser os ramos – e o padre, ministro ordenado da Igreja e para a Igreja, me vem com uma dessas? Por favor, depois dizemos que não sabemos, ou fingimos não saber o que acontece que faz com que inúmeros católicos busquem fazer uma experiência religiosa em outra denominação cristã ou não, mas que não seja católica. Essas outras igrejas ou seitas podem ser questionadas em inúmeros quesitos, porém, em relação ao acolhimento nos deixam no chinelo. Não precisa ser continuar sendo assim. Precisamos mudar nossa postura.
Zaqueu até podia ser tudo isso que o padre fez questão de expressar. Por sinal, usando adjetivos e uma linguagem no mínimo baixa e vulgar para se dirigir ao seu rebanho. Mas, Zaqueu que fez uma verdadeira experiência de Jesus em sua vida, é modelo de conversão para todos nós. Desfez na prática os seus erros. Restituiu os que haviam sido prejudicados por ele.
E esse padre, será que fez uma verdadeira experiência de Jesus em sua vida? Não sei. O conheço muito pouco. Então eu seria injusto se afirmasse que não. Mas, se é verdade que conhecemos uma árvore pelos seus frutos, os frutos do padre expressos nessa infeliz fala, denunciam que como árvore ele precisa ao menos ser podado.
Concluo dizendo que Zaqueu voltou atrás, refez o caminho e sua vida, pautado na experiência que fez com Jesus. O padre ainda disse que todas as vezes que alguém cantar essa música perto dele, ele repetirá o que pensa sobre a música e sobre Zaqueu. Parece que ainda não entendeu a dinâmica do Cristo, a quem ele representa, que corrigia, educava, curava e apontava soluções. O que o padre conseguiu com essa atitude? Eu não quero expor aqui os sentimentos das pessoas que estavam naquela missa e que depois me procuraram para conversar. Mas imagine você mesmo as consequências dessa áspera atitude. Se quiser, comente no blog deixando sua opinião. Eu vou continuar caminhando com a comunidade. O que não quero continuar fazendo é consertar o que não precisava ter sido desconcertado.